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23 de março de 2012

Mario Cravo Jr. entrevistado

                                                                                                                               Foto: Isabela Oliveira
Em entrevista gravada concedida em julho de 2002 a Isabela Oliveira-diretora do Espaço Mario Cravo-Parque das Esculturas, Mario Cravo Jr. fala de sua experiência como professor da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia, de como surgiram: a ideia de criação da Fundação  Mario Cravo e  o Movimento da Arte Moderna.                             


Isabela - Mario, você, após defender Teses, foi agraciado pela Universidade Federal da Bahia com o titulo: "Notório Saber" e convidado pela UFBA para ocupar a Cátedra de Gravura,  como Doutor em Belas Artes, também foi convidado pela Universidade para ensinar Gravura na Escola de Belas Artes. Como foi essa experiência? 
MCJ - A nível de participar deste universo que chama-se Universidade Federal da Bahia–UFBA... Certa vez, uma menina procurou-me por telefone aqui no Espaço Cravo e perguntou que data eu havia saído da escola... (risos).
Foto: arquivo MCJ
Eu nunca fiz parte da escola, eu fui inicialmente autodidata, estudei muito e depois de ter exercido, instalei o curso de Gravura, (final da década de 50). Fiz as ferramentas que não existiam na praça e fiz as bancadas. Meus alunos foram, entre outros, Calazans Neto, Nilton Silva - famoso discípulo, grande desenhista figurativo. Então, convidei a universitária-visitante para vir aqui no Espaço Cravo, e dei-lhe o nome de duas Teses. Voltando a época,dos anos 50, eu estava interessado na atividade acadêmica, com a oportunidade de ser nomeado, dava pra sustentar a família, despesas básicas... Mas aí eu comecei a exercer essa atividade de professor, naturalmente depois de responder as Teses, preparar os instrumentos para o trabalho, e então comecei a ensinar Gravura na Escola de Belas Artes.
Isabela - 1955 - Escola de Belas Artes. Qual era a filosofia que Mario Cravo tinha em mente que veio dar origem a Fundação Mario Cravo ?
MCJ - Então, a angústia de dificuldades de meios, verbas, e toda uma estrutura hierárquica montada pelo professor que diz que ele é melhor aluno do que outro, dar uma nota... É curioso, porque não havia nada que indicasse a sobrevivência daqueles alunos. Dos professores sim, porque nós tínhamos e fizemos concursos para termos um "ganho" certo, mensal. Mas os meninos, que de graça ingressaram na Universidade Federal, o que eles recebiam? Ou seja, o Sistema formal de ensino não tinha nenhuma ligação com a vivência e a atividade dos artistas plásticos da cidade de Salvador. Por isso pedi a você Isabela, que relesse o discurso que fiz como paraninfo. Mostrando, a palavra clara é essa: a total alienação desse sistema de aferição de valores, de notas e de verdade artística, ou seja, um sistema que você tem que copiar um modelo para aprender a fazer arte e receber graduações e notas. Mas essa disciplina... quando se questiona como é que as pessoas têm que fazer arte copiando determinadas posições, determinadas luzes, aí então, a resposta, a justificativa é esta: "Primeiro nós ensinamos a obedecer, a disciplina, e depois quando saírem da Escola de Belas Artes, eles então, terão a liberdade de fazer o que quiserem." Isso é um contra-senso total e absoluto, porque se você não aprender a usar a “liberdade” no inicio de sua atividade auto-disciplinadora, você jamais terá a chance de contribuir com algo de diferente, de novo, a não ser aquele sistema que na época funcionava a maneira da Academia Juliano e, possivelmente, continua até hoje. Todo esse período que eu dei esse curso de Gravura, depois me nomearam, daí veio Henrique Osvaldo que fez docência e ocupou a Cadeira, então eles me pediram para dar um curso de Escultura.
Isabela - E o que fez?
MCJ - Durante esse período da década de 50 a 60, eu vi que não podia fazer absolutamente nada, porque aquelas normas disciplinares, privam toda e qualquer capacidade inventiva e curiosidade dos alunos, e de todo e qualquer individuo com algum talento, com algum jeitinho pra criatividade... Então com aqueles 4 anos lá, está totalmente castrado. Eu perguntava: Mas rapaz, como é que vocês podem ensinar assim? Depois, me pediram pra fazer um esboço do que seria um Curso de Escultura da Escola de Belas Artes. Havia na época um acontecimento musical na Bahia, que o professor Corroid - famoso maestro, (durante período como esse agora, de São João), vinha à Bahia e com a grande orquestra que havia na Universidade e também já havia sido instalado o curso de música, de dança e de teatro. E Lina (Lina Bobard) no Museu, nessa época, eu a convidava para Salvador. Perguntava aos alunos da EBA/UFBA: Vocês não trabalham? Não têm coisas pessoais, algumas invenções que sejam um pouco da sua maneira de ser? As pessoas não tinham. Então, eu disse: vamos fazer o seguinte, vamos fazer uma experiência! Como meu atelier era grande, na Garibald, é ainda. Eu me dirigir aos alunos da Escola de Belas Artes, a um grupo deles, e disse: Vocês alegam que não têm espaço, alegam que não têm material e alegam que não têm possibilidade de alguém que ajude vocês, a criar e inovar qualquer coisa a vontade. Então vamos fazer o seguinte: Eu convido aos interessados, vocês vão para o meu atelier que é aqui perto da Escola, (era um período como esse agora de férias e acontecia a Semana Musical do Professor Korroid), e eu vou dar a vocês assistência pessoal, vou dar a vocês material e vou dar tempo, e vocês, não vão se lamentar mais porque não tem material, espaço, assistência, técnica... (pensa)
Isabela - E deu liberdade! (afirmei)
MCJ - Total. E apareceu o questionamento: E diploma? Eu digo: Não, não, nada de diploma, vocês vão fazer um estágio no atelier do escultor Mario Cravo, e depois disso, quem chegar ao fim desses 15 dias, nós podemos fazer mais 15, mais por enquanto são quinze dias. Apresentaram-se então, cerca de 25 à 30 pessoas, dos quais, pelo menos 1/3 eram professores da própria Escola de Belas Artes. Então, foi uma experiência única, havia euforia! Marcamos o dia para iniciar a atividade e disse: Eu ensino a vocês às técnicas, todas as que vocês desejarem. Ensino Gravura, ensino Escultura, ensino Desenho, Modelagem que vocês chamam de Escultura em Barro, ensino Gravura - tenho a prensa, (nessa época a prensa estava lá). Em fim, dou toda a assistência e tempo. E vocês têm todo o espaço de tempo de dia e de noite, eu deixo aberto o atelier, ficarão aqui as pessoas, o tempo que desejarem. Ou seja, estão aí as respostas às dificuldades que todos vocês alegam ter, para praticar a atividade criadora, para praticar as artes visuais.
Havia classe média e a pequena burguesia baiana na Escola, fazendo sua graduação, e também pessoas de classe média baixa. Então começaram, as pessoas de classe alta a se ajustarem com pessoas mais humildes do povo: dois negros, tinha um mulato, começaram a se agruparem e uns a ajudar as professoras que também faziam parte desse encontro. Então eu assistir a um fenômeno curioso! No primeiro dia foi um sucesso, eu digo: Olhem, aquelas pessoas que não têm vontade de fazer coisas com as mãos, tem uma ala reservada que eu utilizo, de vez em quando... para vocês discutirem arte, a maioria de vocês têm ansiedade, inquietações, pois bem; terão tempo para discutir o problema da arte e eu darei assistência a vocês.
Ou seja, não teria na minha visão, nada a ser desperdiçado. Isso começou 8h, (a atividade), formaram os grupos, (isso meus filhos eram ainda jovens, não devem lembrar), então se distribuíram, era cerca de 9 horas, uns estavam conversando, daqui a pouco começaram as solicitações, um pediu: -- Resina! Eu quero resina! -- Pois não meu filho, tá aqui a resina... Então, começaram a catar pontas de cigarro e jogar dentro da resina, no pretexto de se expressar liberdade e conquista de novas técnicas e novos materiais. Nisso, entre 11h e 11:30 foi havendo um certo silencio, depois, eu atendi algumas pessoas que queriam informações sobre arte, sobre Gravura; virei para o atelier que é grande, (sei lá 20 por 50 metros - um galpão), e observei duas ou três pessoas que estavam saindo, ou seja, inesperadamente sumiram as pessoas, desse primeiro encontro - era meio dia e a professora que tem filho, tem que buscá-lo na escola... Depois, apareceram na parte da tarde, cada qual com suas justificativas, cada qual tinha obrigações familiares, domésticas. Tudo bem, tudo legal. Isso se processou durante 4 a 5 dias e, dentro de 10 dias, só tinha 3 pessoas realmente interessadas frequentando  Ou seja, mesmo que se forneça todos os matérias necessários, ambiente, técnicas, os indivíduos em busca do têm seus compromissos, todos eles se adaptam ao sistema formal que é a Escola de Belas Artes, que lhes dar o título do nível universitário, depois casam, têm filhos; a profissão - abandona ela completamente, quando não, vão ser professores de arte de escolas particulares. Foi essa experiência curiosa, que eu não vou me detalhar muito agora, depois irei fazer com mais calma.
Com essa experiência é que me veio a ideia de fazer o contrário, pensei: Eu vou ver se faço uma organização, uma fundação e, essas pessoas que estão realmente interessadas, vêm a isso, e quero ver de que forma elas aparecem para mostrar aptidões, ou seja, vai um filho porque mamãe gosta que ele venha a ser artista, acha que o filho tem aptidões, no fundo é ela que gostaria de ter a experiência e joga isso pra cima do filho. É tudo muito simples. Perguntava: O que gostaria de aprender? -- Ah! Eu gostaria de trabalhar em madeira! -- Tudo ótimo, eu lhe dou aqui um pedaço de madeira, está aqui o serrote, você serra e vamos fazer uma coisa diferente. Obviamente que ele dava 4 ou meia dúzia de corte de serrote e...
A soma das minhas experiências com todos aqueles familiares e jovens alunos e professores da Escola de Belas Artes, eu vi: não havia possibilidade de jeito nenhum, com esse sistema implantado, de se fazer alguma coisa, portanto, qual foi a minha idéia? Com as amizades que tenho: Carybé, em fim, amigos da minha geração, porque é isso que publiquei e disse naquele discurso de paraninfo que pedi a você que lesse.
Isabela – Eu li e gostei muito.
MCJ – É isto aí. E temos que ter uma compreensão de que: Habilidade não é criatividade. Tem pessoas que tem habilidade, mas não têm persistência. Têm pessoas que têm habilidade, tem persistência, mas não têm imaginação, e assim eu posso fazer uma série de 6 a 8 a 10 combinações. Tem os elementos pelos os quais a pessoa dar pra se revelar um pouco como um possível artista plástico. Essas combinações serão testadas num certo período de meses, anos, não se pode fazer isso em 24hs.
Então pensei na possibilidade de ter esses artistas meus colegas, que iriam ajudá-los, primeiro a visitá-los, para saber como vive um artista, qual é o material que ele usa.
Isabela: Mario, você recebeu apoio? Alguém em especial? Fale-nos do Movimento da Arte Moderna?
MCJ - Foi importante por exemplo, Valladares para nossa geração, começamos aqui por que José Valladares, (que era um homem comum da estrutura de poder - diretor do Museu de Arte do Estado hoje Museu de Arte da Bahia), sabendo de nosso interesse, nosso entusiasmo... (éramos 5, 7 jovens). Então perguntou-me: -- O que é que vocês querem aqui? O que é que vocês gostariam de aprender? E concluiu dizendo: -- Eu quero investir um pouco com essa parcelazinha mínima. Isso foi no Atelier da Barra, que agora Matilde (Matilde Matos) quer escrever sobre o assunto. Foi o inicio da Arte Moderna. Foi importante Valladares, por ter se sensibilizado da nossa curiosidade daquele momento, e pegou uma verbazinha de nada e disse: -- O que é que vocês que trabalham juntos, dentro desse edifício? O que querem aplicar em beneficio da curiosidade de vocês? E eu disse: Porque não Gravura que não se conhecia? Tá vendo Isabela onde é que vai parar o negócio?
Então, Valladares, invés de chamar um velho e notório gravador (aí vem outro problema), ele teve a sensibilidade, de pôr na mão de uma dúzia de jovens que começavam, um pouco de dinheiro pra comprar uma prensa de Gravura. Aí eu fui comprar com ele no Rio de Janeiro, uma prensa de Gravura que estava jogada num galinheiro do diretor da Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro. Uma prensa quebrada, que eu com minha habilidade mecânica de meus restauros, recuperei. Depois em São Paulo, compramos um fornozinho de cerâmica pra fazer vitrificações - pequenos cinzeiros pra começarmos a fazermos coisas pra ganhar dinheiro. Assim começou! Ele mandou chamar, não um velho notório, professor que ia ditar ordens, chamou um homem de nossa idade, Poti Guara Brasileiro, deu à ele 15 a 20 dias na Bahia. Assim nasceu a Gravura, esta Gravura que depois eu fui Docente na Escola de Belas Artes, na UFBA.
Eu tô dando a você Isabela esses flachszinhos, essas lembranças, pra se ver o que acontece, coincidências! (risos).
Isabela - Agradeço meu querido, foi uma delicia! Aliás tem sido um a experiência única para mim, principalmente pelo aprendizado que é o convívio diário contigo e porque tem sido possível aplicar esse sistema de aprendizado pioneiro criado por você aqui com para jovens e crianças, estudantes da rede de ensino! Eu agradeço por ter sido, por você, inserida neste seu universo para de alguma forma colaborar!
MCJ - Não há de que! (risos)

Atividades realizadas em 2012


MAIS ATIVIDADES REALIZADAS 

Palestra, ministrada pelo escultor Mario Cravo 
para estudantes do Curso de Licenciatura em Artes Visuais 
da UNEB de Eunápolis-BA no Auditório do Espaço Mario Cravo.



ESTUDANTES GUIADOS PELA DIRETORA ISABELA OLIVEIRA, APRECIAM A EXPOSIÇÃO ICNOGRÁFICA DE ARTE, NA GALERIA DO ESPAÇO MARIO CRAVO.
Foto arquivo Isabela Oliveira

Foto arquivo Isabela Oliveira

Foto arquivo Isabela Oliveira

Foto arquivo Isabela Oliveira

Foto arquivo Isabela Oliveira

Foto arquivo Isabela Oliveira

Foto arquivo Isabela Oliveira
ENCONTRO QUE CONTOU COM A PARTICIPAÇÃO DE MAIS DE 100 JOVENS ARTISTAS INICIANTES DO INTERIOR DO ESTADO DA BAHIA -  PARCERIA COM A SECRETARIA DA EDUCAÇÃO DO ESTADO, QUANDO  O ESCULTOR MARIO CRAVO  MINISTROU PALESTRA NA GALERIA DO ESPAÇO DO MARIO CRAVO E, COMO SEMPRE CONTOU COM O APOIO DE ISABELA OLIVEIRA.

Foto Rogério Costa

Foto Rogério Costa



Foto Rogério Costa

Foto Rogério Costa
Foto Rogério Costa
EM SEGUIDA TODOS OS VISITANTES DESFRUTARAM DA EXPOSIÇÃO DE ARTE AO AR LIVRE NO PARQUE DAS ESCULTURAS E FORAM AO ATELIER-OFICINA DE RESTAURO E CRIATIVIDADE ONDE CONHECERAM SOBRE DIVERSAS TÉCNICAS ARTISTAS, DISTINTAS FERRAMENTAS DE TRABALHO E RECEBERAM FOLDER'S DO ESPAÇO MARIO CRAVO COM DIREITO A AUTÓGRAFO DO ARTISTA.
Foto Rogério Costa

Foto Rogério Costa

Foto Rogério Costa

CRIANÇAS E ADOLESCENTES VISITAM O ESPAÇO MARIO CRAVO-PARQUE DAS ESCULTURAS E SÃO RECEBIDOS POR ISABELA OLIVEIRA QUE MINISTRA PALESTRA NA GALERIA GUIANDO-OS A EXPOSIÇÃO ICNOGRÁFICA DE AUTORIA DE MARIO CRAVO JR. EM SEGUIDA RECEBEM ORIENTAÇÕES SOBRE PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE E REALIZAM PLANTIO DE MUDAS NO PARQUE DAS ESCULTURAS.





17 de março de 2011

Introdução


Foto: Isabela Oliveira
Visite a exposição de arte contemporânea, ao ar livre, no Parque das Esculturas do Espaço Mario Cravo, enfrente a orla marítima - área frontal do Parque de Pituaçu.                                              
Foto: Isabela Oliveira
Antes de começarmos a descrever o Espaço Mario Cravo-Parque das Esculturas, precisamos esclarecer: quando e para que ele foi criado. Por isso, apresentamos o seguinte conceito:  
       Imaginar, criar e sonhar, quando acompanhado pela ação coordenadora e disciplinada, contribui para a história da linguagem, assim como, para o florescimento da sociedade humana. Mario Cravo Jr.   
                                  
Foto arquivo MCJ
Baseados neste conceito, os amigos Jorge Amado e Carybé incentivaram a idéia da criação do Espaço Mario Cravo-Parque das Esculturas, possibilitando a realização de um antigo sonho do escultor Mario Cravo Jr.: "Devolver a sua terra natal a arte que o inspira a mais de 60 anos de produção artística, contribuir para o desenvolvimento sensorial, criativo e cultural do cidadão e estimular outros artístas a cessão de algumas de suas obras de arte para compor o patrimônio artístico e cultural da Bahia."
Então, desejando que um grupo de seus trabalhos, fossem vistos pelos cidadãos da Cidade do Salvador, assim como por todo e qualquer outro visitante,o escultor Mario Cravo Jr., realiza doação ao Estado da Bahia, de 800 obras de arte e cede mais 200 em regime de comodato (1994). Os atos Doação e  Comodato, estabelecem como interveniente o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia–IPAC, autarquia da Secretária de Cultura. A coleção deste acervo público, pertencente ao Governo do Estado da Bahia, é composta por: gravuras, desenhos, pinturas e esculturas que são colocadas em exposição ao ar livre, no Parque das Esculturas e na Galeria, para o deleite do público - baianos e visitantes.


MENSAGEM DO ARTISTA
"Espero que o significado de meu gesto, possa servir de estímulo a outros artistas no sentido de que também possam valorizar com seus trabalhos o patrimônio cultural comum. Acho que a cultura de um povo deve ser ampliada também por essa maneira, pois estou convencido de ser esta a mais significativa e eficaz maneira de engrandecer a memória de uma nação, evoluindo o espírito e a sensibilidade dos seus habitantes. É fundamental para o Espaço Cravo, que as pessoas encontrem uma porta aberta á imaginação e ao prazer lúdico das esculturas estáticas ou móveis. Que possam viver uma experiência de integração arte-natureza, e deixar fruir um apelo de retorno aos sonhos, ao encantamento da infância, a constatação de que a brevidade dos momentos confortantes são necessários. A música do silêncio, a conversa do mar, o sussurro da brisa, o balançar dos coqueiros, como das esculturas, são a mesma coisa, constroem o sentido e a memória dos homens." Mario Cravo Jr.
Para o artista, o escultor, o Espaço Mario Cravo - Parque das Esculturas, significa sua própria razão de ser, a resposta à sua cidade e nossa gente, a integração corporificada e humanizada do seu sonho.
Após a Doação e o Comodato feita em 1994 pelo escultor Mario Cravo Jr., o Governo do Estado da Bahia, destinou cerde de 53.000m² de área, localizada na parte frontal do Parque Metropolitano de Pituaçu, enfrente a orla maritima onde na época existia apenas um grande pântano e a estrutura de uma ponte semi-construída, e, no local, através da CONDER - Companhia de Desenvolvimento Urbano,  autarquia da Secretaria de Desenvovlimento Urbano, o Governo do Estado construiu o Espaço Mario Cravo-Parque das Esculturas - um centro de cultura, arte e desenvolvimento, composto por:
- Parque das Esculturas - parque  cercado por alambrado, enfrente a orla marítima. Expõe as esculturas de autoria de Mario Cravo - a maioria de propriedade do Estado (Doadas e em Comodato por Mario Cravo Jr.), pouquissimas peças são de propriedade do artista. Trata-se de exposições ao ar livre e, de longa duração,  da arte contemporânea    produzida por este artista baiano. Aqui, há total integração e harmonia entre arte e natureza.  
Foto Isabela Oliveira
Foto Isabela Oliveira
São esculturas contemporâneas móbiles, sonoras e estáticas, em diversos materiais, técnicas, tamanhos e cores, de autoria do único modernista presente entre nós - Mario Cravo Jr. que possui grande reconhecimento no Brasil e no exterior, com exposição permanente da arte de sua autoria, em em diversos estados do Brasil e em diversos países.
Ainda sobre o Parque das Esculturas, uma pequena lagoa foi construída para expor esculturas flutuantes, ela também serve de morada para peixes de diversas especíes, que são alimentados com ração pelos visitantes.O Parque das Esculturas do Espaço Mario Cravo, por suas características, é único em seu gênero em todo o país.
                                                                       

Foto Isabela Oliveira

Foto Isabela Oliveira
Foto arquivo Isabela Oliveira
Auditório com capacidade para 35 pessoas;            

Foto arquivo MCJ

- Um edificio sede com: Galeria.    
Foto arquivo MCJ

Foto arquivo Isabela Oliveira
Foto arquivo Isabela Oliveira
 - Biblioteca e Sala do Acervo, além de banheiros públicos;
                  
Foto Isabela Oliveira
- Um galpão que abriga o Atelier-Oficina de manutenção, restauro e criatividade;
- Estacionamentos, e áreas verdes que servem de morada para aves e peixes variados.


O Espaço Mario Cravo-Parque das Esculturas, fora inaugurado em 29 de março de 1994, em comemoração ao aniversário da cidade de Salvador.
                     PARQUE DAS ESCULTURAS                                                                  Foto: Isabela Oliveira
Este Centro de desenvolvimento social cultural e artístico é administrado pela  Fundação Mario Cravo-FMC, desde 2005, por efeito do Contrato de Comodato, entre  a instituição e a CONDER Secretaria do Desenvolvimento Urbano do Estado um apoio fundamental. Foto: arquivo MCJ
 Alunos de Escolas públicas assistem palestras ministradas pelo escultor Mario Cravo  
Segundo nosso Mentor Mario Cravo Junior, o Espaço Mario Cravo não é um museu, também não seria classificado como um Memorial.  Trata-se de um Centro de Desenvovlimento social, educativo, cultural e lúdico com entrada gratuita, a serviço de todos. Recebe pessoas de todas as idades, credo e níveis sociais, interessadas em artes visuais de modo geral. Visitam e beneficiam-se com as atividades do Espaço Mario Cravo-Parque das Esculturas, entre 71.212 a 95.315 pessoas/ano. São estudantes, professores, coordenadores de todos os níveis de ensino, de Salvador, do interior da Bahia, de outros estados brasileiros e de outros paises. Além de pessoas das comunidades vizinhas, artistas iniciantes e  experientes. Mas principalmente, pessoas realmente interessadas em arte.                                                                                                             Foto: arquivo MCJ
Alunos de escolas públicas, são recebidos pelo escultor Mario Cravo e desfrutam de visita a exposição de arte contemporânea, ao ar livre, no Parque das Esculturas do Espaço Mario Cravo, enfrente a orla marítima de Salvador.                                             
Alguns programas educativos estão em desenvolvimento, entre os quais destacamos: “Conhecer para Preservar/Preservar para Conhecer”; 
“Sua imaginação é nosso estímulo” e "Arte e Integração com a Escola".
Tais programas, pertencem ao nosso SAE - Sistema de Aprendizado Empírico", um sistema iniciado experimentalmente pelo escultor Mario Cravo Jr., ainda no século passado, final da década de 50, quando Mario Cravo Jr.,  defendeu Teses e foi agraciado pela Universidade Federal da Bahia - UFBA com o titulo: "Nótorio Saber",  foi convidado a ocupar a Cátedra de Gravura da UFBA e a ensinar na Escola de Belas Artes no Canela. Graduou-se nesta época Doutor em Belas Artes. (mais detalhes e imagens neste Blog nos links "Programas Educativos" e Mario Cravo Entrevistado 1 e 2 ).

NOTA: O escultor Mario Cravo Jr. atua diariamente como Mentor Artístico, deste centro de cultura e desenvolvimento que leva seu nome e dedica pessoalmente sua criatividade e grande experiência.
Salientamos que para viabilizar os trabalhos de salvaguarda das esculturas do patrimônio público, desde 1994, o escultor Mario Cravo empresta sua coleção de máquinas e ferramentas para restauro e, ensina jovens de Pituaçu e da periferia da Capital, como realizar manutenção e restauro em esculturas de diversos materiais, técnicas e tamanhos. Muitos desses jovens tornaram-se colaboradores e foram contratados através da CONDER e compoem a equipe interna.
As fotos abaixo, mostram Mario Cravo Jr. ensinando como realizar manutenção em esculturas, através do Sistema de Aprendizado Empírico. (Detalhes no Link Programas Educativos).                                                                                                   Fotos: Isabela Oliveira
E é graças ao trabalho realizado há 18 anos pelo escultor Mario Cravo Jr. e equipe, através de uma parceria da Fundação Mario Cravo que a coleção de arte doada e cedida em comodato ao Estado da Bahia tem sido salvaguardada e colocada em exposição para o deleite do  público visitante. 

Para incentivar o estudo e a pesquisa, em 1994, o escultor Mario Cravo,  empresta sua coleção particular, com mais de 1.000 títulos, ligados à Escultura Contemporânea, Arte Moderna, Artes Plásticas, Arquitetura, Filosofia, etc., formando assim uma Biblioteca. Desde então, a Biblioteca serve a pesquisa pública, funcionando diária e gratuitamente. Atualmente um projeto está sendo elaborado, com objetivo de adotar, em beneficio deste acervo bibliográfico, medidas de conservação para que ele possa voltar a servir a pesquisa pública. Buscamos patrocinadores da iniciativa privada interessados em abraçar esta causa.
Como dissemos anteriormente, a administração do Espaço Mario Cravo– Parque das Esculturas, está a cargo da Fundação Mario Cravo-FMC.

A instituição realiza, através da diretora Isabela Oliveira, a conservação preventiva e a atividade estava servindo tanto para o aprendizado dos funcionários disponibilizados pela Conder para manutenção de da área verde, como também para visitantes interessados, porém somente visitantes interessados podem participar do aprendizado. A exposição do acervo – um patrimônio público composto pelas coleções doada e cedida em comodato, em 1994 pelo artista Mario Cravo Jr. é importante, para isto o escultor Mario Cravo construiu na Oficina mobiliario expográfico em metal, é esse material que dispomos na galeria. 
A  divulgação dos atos de Doação e Comodatos, do acervo e das atividades desenvolvidas, está a cargo do IPAC-Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural do Estado da Bahia.
A Fundação Mario Cravo-FMC (26 de junho de 1985), é uma instituição a serviço da sociedade, que conserva, comunica e expõe, com a finalidade de estimular a sensibilidade, a imaginação e a criatividade, aumentar o saber e a cultura do cidadão, salvaguardar e desenvolver o patrimônio artístico - bens representativos da natureza e do homem. (mais detalhes neste Blog, no link "Fundação Mario Cravo").
A CONDER, supri as carências de  manutenção da estrutura física, elétrica, hidráulica, de equipamentos, máquinas e ferramentas; realiza o fornecimento de materiais de consumo e disponibiliza recurso humano, estes, são submetidos ao aprendizado que recebem gratuitamente do escultor Mario Cravo e da diretora Isabela Oliveira. A CONDER também é responsavel pela climatização, fornecimento dos serviços de telefonia, internet e sistema de segurança 24 horas e segurança eletrônica. Tofavia, desde 2007 os profissionais de segurança são fornecidos pelo Inema/SEMA).
O IPAC, é responsavel por realizar a preservação do Acervo Doado e em Comodato, composto por: gravuras, pinturas e desenhos; fornecer apoio para a exposição e dinamização do acervo. E através da ASCOM/IPAC, o órgão é responsavel por divulgar as atividades desenvolvidas, o acervo de arte e os atos de doação e comodato ao Estado realizados pelo escultor Mario Cravo Jr.
Veja fotografias atuais do Espaço Mario Cravo-Parque das Esculturas e suas atividades, nos Links deste Blog.                                          Foto: ASCOM IPAC
Agende sua visita através do e-mail: isabelaoliveiraespacocravo@gmail.com

Rua Antonio Manoel Galvão, s/n Ed. Portal Espaço Mario Cravo, Parque de Pituaçu-Orla Marítima SSA/BA Cep: 41.740-020 Tel: 5571 3363-4054

16 de março de 2011

Biografia do artista

                                                                                                                                                        Foto: Mario Cravo Neto
"Sou herdeiro (felizmente)
de uma cepa de rebeldes,
poetas, sonhadores e lutadores"
Mario Cravo Jr.


BIOGRAFIA RESUMIDA
Mario Cravo Jr., nasceu em 13 de abril de 1923, no bairro de Itapagipe, em Salvador. Desde a adolescência interessasse-se por desenho e pela astronomia. Entre 1938/1943 - Realizou viagens de interesse artístico pelo interior da Bahia e região Nordeste do Brasil, muitas vezes acompanhado por seu compadre, amigo-irmão: o artista plástico Carybé - argentino, naturalizado brasileiro. Mario Cravo Jr. trabalhou no atelier do santeiro popular Pedro Ferreira, com cedro e jacarandá (SSA-BA) e também estagiou no atelier do escultor Humberto de Cozzo no Rio de Janeiro (1945).             
Atelier Humberto de Cozzo, o artista em companhia do escultor Mario Cravo.
                                                                                               Foto arquivo MCJ
Entre 1947/1949 - Residindo em New York(Estados Unidos), o escultor Mario Cravo foi aluno especial do escultor ioguslavo Ivan Mestrovic, trabalhou na Escola de Belas Artes de Syracuse University do Estado de New York, U.S.A. Nesse período tem contato com Jacques Lipchitz e instala seu atelier em Greenwich Village, nas proximidades de Washington Square, realizando uma exposição individual Norlyst Gallery. É quando conhece e torna-se amigo do maestro Heitor Villa Lobos, (que também morava em New York), e executa sua cabeça em bronze. Atualmente a escultura "Cabeça de Villa Lobos", encontra-se em exposição na galeria do Espaço Mario Cravo-Parque das Esculturas.

Foto extraída do Livro:  "Mario Cravo Jr. O Desafio da Escultura"
Sua exposição individual no Brasil é levada a efeito em 1947, com esculturas e gravuras no edifício Oceania, em Salvador-Ba. O escultor, de volta a sua terra natal, já em 1949, instala em um prédio inacabado, seu atelier-oficina.
Impulsiona o Movimento da Arte Moderna - Os jovens artistas, Mario Cravo Jr., Carybé, Carlos Bastos, Jenner Augusto, Genaro de Carvalho e Rubem Valentin, foram responsáveis na Bahia, por impulsionar o Movimento da Arte Moderna, reconhecido em todo o país. Mario Cravo neste período, já trabalhava intensamente com madeira, pedra, metais ferrosos e não ferrosos, martelados e em fusão, com o uso de instrumental e de nova tecnologia no tratamento com os metais, tal como a solda oxi-acetilénica e elétrica. Sua temática, gravita desde o universo vegetal ao estudo de movimento de lutas, sexo, danças populares e regionais, e a sua atenção é voltada para o aproveitamento de formas naturais.


A partir de 1950, tem seu atelier na Rua Agnelo de Brito, na Av. Garibald em Salvador, quando inicia pesquisa sistemática e estudo das fontes de arte popular e erudita. É agraciado com o prêmio: Aquisição Jovens Escultores, na I Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 1951.
Este Doutor em Belas Artes, a convite da Universidade Federal da Bahia, defende Teses e se torna Docente Livre da Cadeira de Gravuras, exercendo interinamente, na Universidade Federal da Bahia-UFBA, a Catédra de Gravura, e em 1953, esnina Talho Doce, Áqua Forte, Áqua Tinta e Xilogravura, torna-se professor adjunto na Escola de Belas Artes da UFBA em 66, sendo logo depois, professor de nível superior na disciplina escultura em madeira, pedra e metais. É dessa época que Mario Cravo Jr., percebe entre os universitários, falta de estímulo e insatisfação pela falta de liberdade para criar, por efeito da metodologia tradicional aplicada para o ensino das artes plásticas. Por esse motivo, convida alguns universitários mais interessados para uma experiência inovadora no campo das artes visuais, em seu atelier... (detalhes neste Blog no Link "Programas Educativos e no Link "Mario Cravo entrevistado 1 e 2") 
Foto arquivo MCJ, extraida Livro: Mario Cravo Jr. O Desafio da Escultura
Passa a expor suas esculturas nas principais capitais do país.  No mesmo ano, realiza em Salvador, sua primeira grande exposição ao ar livre, com esculturas em madeira e pedra sabão. 
Em 1958, no mesmo local, uma outra exposição e, em 1959 com esculturas em ferro, realiza exposição na Praça da República em São Paulo.
Descobre o trabalho do escultor mineiro, Antônio Francisco Lisboa "O Aleijadinho", do século XVIII, e a cerâmica de Frei Agostinho da Piedade do século XVII. A segunda fase do artista, é uma tentativa de sincronização destes dois artistas brasileiros, somados a expressão plástica de "ex-votos", carancas do barro do Rio São Francisco, cerâmica popular e indígenas e dos ferros do Candomblé. No ano de 1960, executa uma série de trabalhos inspirados em "Alados" e é escolhido a representar o Brasil na Bienalle Internacionale D'Arte Veneza. Dois anos após, é realizado uma exposição marcante de sua obra, no Museu de Arte Moderna da Bahia, no Solar do Unhão, em Salvador-Ba.                   
                                                            Cópia de reportagem da época.
Mensagem de Jorge Amado
extraída do Livro "Mario Cravo Jr. Desenhos".

Foto: autor desconhecido
Foi como uma festa a inauguração da mostra de Mario Cravo. O MAMB está cumprindo inteiramente sua finalidade sob a direção de Lina Bo Bardi. É uma alegria constatar o trabalho do MAMB e seu sucesso. Voltemos, porém, à festa. Não se trata apenas do ambiente caloroso e alegre do primeiro dia de exposição. Esse é o lado social, compete aos colunistas dizer dos nomes presentes, das senhoras elegantes, das personalidades. Como compete aos críticos de arte, donos de palavras obscuras e parece que, por isso mesmo, apropriadas, analisar a evolução do artista, de sua escultura e seu desenho. Eles o farão, sem dúvida, citarão autores, buscarão pontos de referência, gastarão erudição e a obra de Mario resistirá a todo e qualquer adjetivo contundente, a toda e qualquer análise ”em profundidade’’, ficará no Castro Alves de face para o seu povo baiano, para alegria de seus olhos e de seu coração. Sua grande obra baiana, sua erudita criação popular, seu velho artesanato cada vez mais consciente, sua força de criação que está plantada no solo sagrado dos candomblés, das capoeiras, da vida mesmo da Bahia. Não se trata de vivência, trata-se de vida vivida.
Mario não sabe por ter aprendido, sabe por trazer dentro de si. Aprendeu, isso sim, seu duro ofício de escultor, seu dramático artesanato, sua consciência de trabalhador. Mas a criação, essa está dentro dele, como se, no momento de criar os pássaros impossíveis, os peixes misteriosos, os santos e os exus, o seu mundo sofrido e exaltante, como se, nesse momento, ele contivesse toda a velha cultura do nosso povo, como se em suas mãos estivessem todo o saber e toda a arte do povo da Bahia.
Por isso a exposição é uma festa: é uma criação do próprio povo, sua obra é bem do povo, está mais além do próprio artista, dos compradores e dos críticos. É de todos: dos capoeiristas e das mães-de-santo, da gente do mercado e dos pescadores, daqueles que contam histórias e da moça que atravessa a rua entre o casario antigo, é tua e minha, todos nós participamos de sua obra.
É uma alegria, uma festa, um enriquecimento de nossa cultura, tornamo-nos maiores com sua criação. Por vezes, um povo produz um artista nacional. Um poeta, um pintor, um músico, um romancista, um bailarino, um cineasta. O povo da Bahia também o faz. O moço Dorival Caymmi é um exemplo. Sua obra de compositor é uma obra nacional da Bahia: pertence a todos nós, como se cada um houvesse participado de sua criação, nela estamos e nela permanecemos para o futuro. Porque ela é carne e sangue nosso, alimentou-se de tudo quanto produzimos. Um artista nacional não é apenas um artista de talento, mesmo de grande talento, de sensibilidade apurada, etc. e tal. É preciso muito mais: que ele seja seu povo no momento de criar. Mario Cravo um artista nacional do povo baiano e, por conseqüência, do povo brasileiro, ele está muito próximo de nós, no tempo e no espaço, para darmo-nos perfeita conta da importância de sua obra em relação à Bahia. E sua presença é tremendamente impositiva, polêmica e até pitoresca, obscurecendo, por vezes, a perfeita visão da grandeza de sua obra. De qualquer maneira, essa consciência de termos produzido um artista nacional já se faz sentir pouco a pouco e começa a fazer-se consciência geral.
A figura de Antônio Conselheiro. De pé e imprecando, em frente ao Teatro Castro Alves, é uma prova disso. Não faz apenas parte da paisagem habitual da cidade, como certos casarões antigos, o largo do Pelourinho, o prédio atualmente da Associação Comercial, a igreja de São Francisco. É também, em meio à paisagem, a cólera do povo, sua antiga revolta, a miséria levantada numa boca de pragas e bacamartes. O Conselheiro de Mario Cravo completa os sertões e explica canudos.
Não existe para ser concedido, felizmente, o titulo de “artista nacional”. Se existisse, seria dado a uns e outros ao sabor de pistolões, grupos, modas e outras besteiras que trás. O que existe é uma consciência em toda a gente: a consciência de que José de Alencar foi um artista nacional, de que foi o poeta Castro Alves, o compositor Villa Lobos e, de certa maneira, o pintor Portinari. A proporção que a obra do escultor Mario Cravo cresce, afirma-se também, na consciência do povo baiano, o aparecimento de que um artista nacional, ou seja, um homem que nos representa a nós todos, que é todos nós em sua criação. Talvez leva ainda algum tempo a completar-se essa consciência, mais isso não importa. Mario aí está, jovem e disposto, atravessando e vencendo suas crises, elaborando seus instrumentos de trabalho, assentado neste chão baiano, trabalhando. Seu trabalho mais recente está no Castro Alves na sala do MAM, disposto com inteligência e compreensão por Lina Bardi. Seu mundo impossível, que é ao mesmo tempo, o mundo da Bahia. Uma festa onde a beleza explode e a inquietação, a angustia, a anciã e a fortaleza do homem. De súbito em meio ao burburinho da inauguração, antes um peixe na parede, senti uma total serenidade. Havia certa paz naquele combate de matérias diversas, naquelas figuras traumáticas e misteriosas. Uma paz do amadurecimento do artista, de sua força brutal contida na criação. Saldo em Mario Cravo um artista nacional de nosso povo baiano. Grande é o povo que produz tal artista.
Um artista tão fiel a si mesmo e ao povo que o produziu.
Ferreiro coberto de fogo e aço, comido goiva e acido, os bigodes arrogantes, devasso, quase agressivos, os olhos de insônia, a boca em gargalhada, eis o guerreiro Mario Cravo em luta com o ferro bruto, a madeira pesada ilustre, a pedra morta, para sempre morta, mais de repente, viva em sua mão, em seu talho, em sua forja, em seu destino deslumbrado e louco, em seu criar sem descanso. O ferro já não é mineral bruto, é o Orixá mais poderoso, a fonte cristalina, a mão de onde brota a água e se derrama na boca sedentos. Da madeira adusta, nasce o mistério da Yemanjá, senhora do mar da Bahia, nasce o Cangaceiro do bando de Lampião e do latifúndio feudal, nasce Antonio Conselheiro, capitão da guerra dos pobres, boca de praga, braço de acusação. A pedra se transforma em flor, a flor mais suave e delicada a mais terna flor, a flor bem amada. A madeira, a pedra, o ferro, na forja dos infernos, nas mãos dos derradeiros Exus da Bahia, são a flor, a água, a poesia, a vida mais vivida e mais profunda. Uma força da natureza por um capricho dos Deuses, desencadeou-se na Bahia: Mario Cravo o escultor." 



NOTA: As esculturas mencionadas no texto de Jorge Amado, encontram-se em exposição permanente:
  • "Antônio Conselheiro" - Paque de Esculturas do MAM-Ba, Salvador-Ba;
  • "Iemanjá" - Agência Central dos Correio e Telegráfos. Pituba, SSA-Ba;
  • "Cangaceiro" - Hall do Teatro Castro Alves, Salvador Ba. 
Sob os auspícios da Fundação Ford e do Senado de Berlim Ocidental, em 1964, Mario Cravo Jr. é convidado a participar do Programa "Artists in Residence", seguindo para a Alemanha com sua família. Permaneceu em Berlim por dois anos e meio, realizando várias exposições. A convite do Departamento de Estado Norte-Americano. Segue para os Estados Unidos e realiza exposições individuais em Washington, além de diversas conferências a respeito do ensino da arte, em doze universidades americanas.  Neste período Lina Bo Bardi deixa a direção do MAM-BA.
Quando Mario Cravo Jr. retorna novamente ao Brasil, a Salvador, sua cidade natal, assume a direção do MAM e do Museu de Arte Popular da Bahia.
Em 70 recebe da Prefeitura do Salvador, convite para criar um símbolo do modernismo da Bahia, é quando executa em fibra de vidro, com estrutura metálica interna, com 18 metros de altura, e com sistema de jatos de água para funcionar com música ambiente, uma escultura-fonte luminosa, intitulada "Fonte da Rampa do Mercado" que fora instalada na Praça Cairú Cidade Baixa, próxima ao Elevador Lacerda e à antiga Alfândega, hoje Mercado Modelo. A imagem deste monumento é cartão postal da Bahia.
     
escultura "Fonte da Rampa do Mercado"  
Foto: Mario Cravo Neto.

Constrói sua residência e atelier no bairro da Federação, em Salvador e concentra-se em esculturas nas técnicas de resinas poliéster e plásticos reforçados.

De 1973 a 1980, retorna à técnica do Metal Batido, executando trabalhos de médio e grande porte para entidades privadas, municipais e estaduais do Brasil e do exterior. Realiza a mostra "Cravo 80" no Farol da Barra. Executa uma série de esculturas para bancos e agências bancárias e uma escultura monumental para o COPEC - Complexo Petroquímico de Camaçari (foto). 
                 
escultura "Energia em Expansão"      Foto: arquivo MCJ
  Participa, com exposição permanente de esculturas de sua autoria, nos parques de esculturas ao ar livre do Rio de Janeiro (Parque das Catacumbas) e em São Paulo (Parque Escultórico São Sebastião), e também na Praça da Sé. Passa a dedicar uma especial atenção ao relacionamento da Escultura com Arquitetura e Paisagismo e realiza projetos nesta área, o que faz até o momento presente. É também desse período, a realização de elementos escultóricos em concreto para a Barragem Pedra do Cavalo no município de Cachoeira-Ba e o
"Memorial à Clériston Andrade" em Salvador (foto). Foto: arquivo MCJ.  

Colabora com seu primeiro filho, grande amigo e colega: o fotógrafo Mario Cravo Neto (em memória), na realização do Livro "Cravo". O escultor teve quatro filhos,fruto do casamento com Lúcia.          Foto: arquivo MCJ
Em 1976, executa o projeto inicial de pós-graduação na área de artes plásticas. Entre 1980 e 1983, constrói o "Cristo Crucificado" (foto abaixo), com 15 metros de altura e 12 de largura, para a cidade de Vitória da Conquista, cidade do interior da Bahia. O monumento tornou-se atrativo turístico do Estado e cartão postal do município.

Em 1986, participa pela quarta vez do Comitê Internacional de Jerusalém e realiza exposição individual de desenhos em Zurique, na Suíça.


ESPAÇO MARIO CRAVO-PARQUE DAS ESCULTURAS
(Detalhes nos Link's: "Introdução", "Programas Educativos" e "Parcerias")


Para o artista, Mario Cravo Jr., o Espaço Mario Cravo - Parque das Esculturas significa sua própria razão de ser, a resposta à sua cidade e a nossa gente, a integração corporificada e humanizada do seu sonho, sonho que fora incentivado pelos amigos do escultor: Carybé e Jorge Amado. E é neste espaço, com 53.000m² de área, enfrente a orla marítima da capital, área frontal do Parque de Pituaçu, onde esta situada a Fundação Mario Cravo,  no local o escultor atua como Mentor artístico. Mario Cravo Jr. atende ao público, demonstra técnicas artísticas, ministra palestras com temas diversos, ensina a jovens interessados de Pituaçu e da periferia da capital, como realizar manutenção e restauro nas esculturas que foram, por ele, doadas e cedidas em comodato ao Estado. Para a salvaguarda deste acervo público, (esculturas de vários materiais, técnicas e tamanhos), o escultor empresta sua coleção de máquinas e ferramentas para restauro. É a Fundação Mario Cravo salvaguardando o patrimônio público e desempenhando seu papel junto à sociedade.                                                                                 Foto Isabela Oliveira
E como se não bastasse o executar de tantas atividades, o escultor Mario Cravo Jr., também disponibiliza material que serve para pesquisa estudantil, demonstra técnicas artísticas, assim, contribuindo para a ampliação do saber e cultura do cidadão interessado. Recebe turistas e artistas oriundos do Brasil e do exterior em visita a Salvador. E ainda, encontra tempo para dedicar-se a literatura, tendo escrito os livros: "Mario Cravo Jr. Desenhos", "Cravo Impulso Poético e Esboço", "Mario Cravo - O Desafio da Escultura" e em breve, editará mais um livro de sua autoria, que contará as experiências de um escultor na idade madura, este será lançado pela Odebrecht, juntamente com um filme longa metragem sobre a Vida e Obra de Mario Cravo Junior, em breve.


Agora aprecie imagens de esculturas de autoria de Mario Cravo Jr., permanentemente em exposição em Salvador:  


escultura "Cruz Caída" - Praça da Sé - Centro
Foto: autor desconhecido
    
escultura em aço inox "Crárvore" ano 1997  Parque de Esculturas MAM-Ba  
Foto: autor desconhecido

escultura "Antônio Conselheiro" ano 1955 
exposição no Museu de Arte Moderna da Bahia         
     Fonto: autor desconhecido


"Alado Antropófago"
Madeira e metal 
Escultura de autoria: Mario Cravo em exposição no MAM


paínel "Vitral" Capela Hospital Português, SSA-Ba.      
 Imagem do dia da inauguração.   Foto:arquivo MCJ
Foto arquivo MCJ

escultura "sem título"
Parque Escultórico Jardim dos Namorados.
Foto: autor desconhecido


Coleção "Orixás" Agência Central Correios e Telégrafos, na Pituba, SSA/BA.
Foto: arquivo Correios
  


    escultura "Cabeça de Rui Barbosa" em exposição no Fórum Rui Barbosa, Salvador - Bahia.  
Foto: arquivo MCJ

escultura "Cruzeiro" em exposição na lateral edifício Casa do Comércio Deraldo Motta, Pituba SSA/BA. 
Foto: arquivo MCJ
Foto: autor desconhecido


esculturas e relevo
"Memorial a Edgar Santos" UFBA. 
    Foto: Isabela Oliveira

Relevo "sem título" no Banco Central.
  Foto: autor desconhecido

escultura "Rapto de Iemanjá"
Instituto Nina Rodrigues.
    Foto: arquivo MCJ

escultura "Sereia de Itapuan"
     Foto: autor desconhecido
NOTA: O escultor Mario Cravo Jr., desejando estimular outros artistas a também doar suas produções artísticas para o Estado, ampliando o patrimônio público (nossa identidade, memória e herança deixada para as gerações futuras), não somente fez doação de 800 obras de arte ao Estado, e cedeu mais 200 em comodato, mas também  empresta esculturas de sua coleção particular para compor o paisagismo do Parque Metropolitano de Pituaçu, como mostram as fotografias abaixo:

       escultura "Sem Titulo"
                         Foto: arquivo MCJ                         

escultura "sem título"   
   Foto: arquivo MCJ 
   


escultura "sem título".    
Foto: arquivo MCJ 

  

escultura "sem título".    Foto: arquivo MCJ



Em demais cidades do Estado da Bahia, as exposições são das esculturas: "Energia em Expansão", em Camaçari,  "Cristo Crucificado" em Vitória da Conquista  
Foto: Mario Cravo Neto

 A arte do jovem velho escultor Mario Cravo também podem ser encontradas em:  
Candeias, Itabuna, Jequié, Itapetinga, 
Cravolândia,  Alagoinhas,           


Porto Seguro,  
Monumento "Cruz dos 500 anos"
Foto: autor desconhecido
E em outros estados brasileiros, a exemplo:
Rio de Janeiro:
Museu de Arte Moderna - MAM RJ
Fundação Raimundo Castro Maia
Banco Irmãos Guimarães - Av. Rio Branco
Banco de Boston - Av. Rio Branco
Banco Safra
Parque das Catacumbas


NOTA: A fotografia abaixo, que pertencente ao arquivo MCJ,  mostra o momento de instalação da escultura "Acoplamento" no Parque das Catacumbas RJ
São Paulo
Museu de Arte Moderna MASP      Foto: arquivo MCJ

Parque Escultórico São Sebastião
escultura "sem título". Foto: autor desconhecido



Parque de Esculturas do Ibirapuera
escultura "Exu Mola de Jipe". Foto: autor desconhecido


Parque de Esculturas da Praça da Sé, a
escultura "Impacto" 1979 / 1980 em Aço inox
repuxado e latão - 3,20 metros de altura.

Encomenda da Prefeitura de São Paulo, para o parque

de escultura da Praça da Sé. SP.  Fotos: Isabela Oliveira


E ainda em: Búzios - RJ
Curitiba
Belo Horizonte
e em Brasília, o Paínel "sem título". 
Foto: autor desconhecido


No exterior, em diversos países, a exemplo:
Paris - França
Contemporaine Museé Rodin Institute of Contemporary Arts
Berlim - Alemanha
Haus am Waldsee Deustche Oper 
Rathaus Spandau
The Fitzwillian Museum
Goethe Institute
New York
The Museum of Moderns Arts
Cambridge Kademie Der Kunst
Norlist Gallery
Leningrado
Hermitage Museum
Jerusalém - Israel
The Israel Museum
Veneza
Internazionali Dárte XXVI , XXX
Estados Unidos U.S.A
Museum of Ats - San Francisco
Walker Arts Center - Mineapolis San Francisco
City Art Museum of St. Louis - St. Louis
Porto Alegre
Santo Amaro
Fortaleza
Maceió
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